Hoje dedico esse post ao meu avô, meu doce vô Zé.
Meu vô Zé era desses avôs que fazia tudo e mais um pouco pelos netos, filhos, esposa, familiares e amigos.
Sempre por perto e sempre disposto a ajudar.
Ia todos os domingos a igreja, era Presibiteriano. E quantos não foram os domingos, que segurandos os netos pelas mãos, íamos todos felizes com ele participar da escola dominical e do culto. E como meu avô ficava feliz...
Aprendi muitas coisas com ele. Entre elas, pregar pregos em pequenos pedaços de tábuas em sua pequena marcenaria no fundo do quintal, fazer carrinho de rolemã e consertar a tala do chinelo havaiana quando arrebentava.
Aprendi também a ser gentil, educada e honesta. Aprendi a valorizar as tradicões familiares.
E falando em tradições, isso era sagrado. Todo final de ano, meu avõ fazia deliciosas rosquinhas de pinga e os maravilhosos mantecais. Ah, o mantecal do Zé Castilho era famoso... O mantecal é uma espécie de cookie espanhola. É feito de banha, açúcar, farinha e canela. O mantecal derrete na boca, mas acima de tudo, tem uma marca tão própria, uma espécie de ligação ao passado, aos tempos de infância.
Esses dias, veio a vontade inexplicável de comer o mantecal. Liguei para minha mãe pedindo a receita. Sim o meu avô me ensinou, me mostrou as medidas, o ponto da massa quando eu ainda era uma menina. Mas me perguntava, deve ter mais algum ingrediente. E não tinha.
E fui então para a cozinha por a mão na massa. E com aquela sensação de que um par de olhos doces me observavam, fiz os mantecais.
Mal esfriaram e já estava eu provando. Sim, ficaram muito bons mas jamais iguais ao do meu avô. Mas acredito que ele deva estar orgulhoso, não somente pelos mantecais mas por ver que a tradição será passada para as próximas gerações, por saber que naquele dia em sua cozinha a semente foi plantada e que hoje as flores brotam em forma de mantecais, rosquinhas de pinga, cookies e biscoitos decorados.
Gaby
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